Atividade educacional sobre método científico

Trabalhar ciências de um modo concreto contribui muito para o aprendizado do aluno. Mas para isso, é importante entender como funciona a ciência. Se utilizarmos a tecnologia, os benefícios podem ser ainda maiores.

Durante o módulo 1 do curso de Formação Continuada em Tecnologias Educacionais baseadas na Web 2.0, tive a oportunidade de unir o útil ao agradável. A proposta do curso foi a construção de uma atividade educacional na área específica de cada cursista, utilizando de alguma forma as ferramentas discutidas ao longo do módulo.

Resolvi então elaborar a atividade que se segue de forma a trabalhar o conceito de Método Científico e também quebrar alguns preconceitos. Espero que gostem!

Atividade colaborativa sobre o Método Científico.

Objetivo de aprendizagem: Compreender o que é o método científico e desmistificar que o mesmo só é utilizado por cientistas. Quebrar a barreira ciência-cotidiano: mostrar aos alunos que as ciências fazem parte do nosso dia-a-dia.

Público-alvo: 
Ensino Médio, Superior e Formação continuada de professores. A atividade pode ser utilizada também com alunos do Ensino Fundamental, mas dependendo da série escolhida, não seria conveniente o uso do vídeo e do organograma inicialmente. Poderia ser iniciada direto com a primeira questão proposta para discussão no fórum, seguido da apresentação das situações-problema e das demais questões para discussão posterior à análise das mesmas (essa metodologia resumida e menos tecnológica foi utilizada durante um curso de capacitação de professores presencial e funcionou).

Cronograma:
- Etapa 1 – Leitura e reflexão sobre o material disponibilizado (vídeo e situações-problema)– 2 dias
- Etapa 2 – Discussão a respeito do método científico no fórum – 4 dias
- Etapa 3 - Elaboração do texto – 4 dias
- Etapa 4 – Envio do texto do grupo – ao final da etapa anterior
- Etapa 5 - Análise do material complementar enviado pelo professor após a primeira versão do texto colaborativo - 2 dias
- Etapa 6 – Revisão do texto colaborativo pelos alunos após a análise do material complementar e reenvio para o professor - 3 dias
- Etapa 7 - Postagem no blog (pelo professor) após avaliação do material recebido.
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Metodologia de aplicação: Atividade online, colaborativa utilizando Google docs, fórum de discussão e blog.

Etapa 1

1. Você deverá primeiramente assistir ao vídeo abaixo:


2. Analise o organograma que resume o conceito de Método Científico mostrado a seguir.

3. Em seguida, deverá analisar as duas situações propostas abaixo.





Situação 1:
Em uma conversa, João diz a seu amigo Paulo:
- Uma planta não consegue se desenvolver se não estiver em um vaso de terra.
O amigo retruca:
- Não, João! Acho que a planta cresce sim! Lembro que a minha professora de ciências disse algo sobre isso. Tenho uma ideia: vamos plantar sementes de feijão em um vaso com terra e em cima de um pedaço de algodão úmido e ver o que acontece.
 João diz:
- OK! Vamos ver quem tem razão.
Passada uma semana...
- Olha Paulo! Você tinha razão! A planta conseguiu desenvolver no algodão. Mas eu não consigo entender como! Uma vez a tia disse que a planta precisa de água, luz e terra, porque é dela que a planta tira os nutrientes.
- João, agora que já vimos que a planta consegue germinar, vamos tentar descobrir por quê? Que tal pegarmos uns livros e conversar com a professora.
Analisando os livros e discutindo com a professora, João e Paulo descobriram que quando a planta germina, os nutrientes que ela precisa estão dentro da própria semente. Por isso, não precisam da terra.

Situação 2:
Luiza chega em casa, troca a sua roupa, pega um copo de suco e um sanduiche e senta para assistir ao seu programa preferido na TV. Quando ela pega o controle remoto para ligar a TV, a mesma não funciona. Ela então vai falar com seu pai.
- Pai, a TV não quer ligar. Não sei o que está acontecendo.
- Filha, pode ser que o controle esteja com a pilha fraca. Pegue essas pilhas novas, troque e veja se funciona.
Luiza troca as pilhas, e nada.
O pai diz:
- Vamos ver se a empregada, por acaso, não desligou o fio da tomada?
Quando vão checar essa possibilidade, percebem que o fio está ligado na tomada.
- Pai, será que a tomada está com problema? Espera um pouco que vou pegar o meu aparelho de som para ligar aí.
Quando Luiza liga o aparelho de som na tomada, o mesmo funciona.
- É pai, parece que o problema é com a TV mesmo...
- Bom , Luiza, vamos chamar o técnico para consertar.
Passados dois dias, o técnico chega e avalia o problema da televisão e diz:
- Sr. Luiz, o problema está resolvido. O fio da TV estava quebrado, por isso não estava funcionando. Já troquei o fio e agora não teremos mais problemas...
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Etapa 2:
1.       Após a análise, pense a respeito das seguintes questões:
a.       O que faz um cientista?
b.      Em qual das duas situações propostas, você identifica o método científico?
c.       Quem pode ser um cientista?
d.      Quando o nosso potencial científico se torna enfraquecido?
2.       Discuta com seus colegas essas questões utilizando ferramentas da web 2.0 pelo fórum. Procure buscar informações na rede.
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Etapa 3:
       Ao final da discussão, a turma deverá formular um texto colaborativo a respeito das conclusões de suas discussões.
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Etapa 4:
      Quando considerarem o texto pronto, compartilhem comigo para que seja avaliado.
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Etapa 5:
      Então, vocês receberão dois novos documentos para serem analisados, que se referem a conclusões sobre o assunto discutido. Analisem esses documentos.

OBS: Como esses documentos só serão fornecidos aos alunos no momento oportuno, para fins de organização, coloquei aqui na atividade no final de tudo.
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Etapa 6:
      Após a análise do material complementar, vocês poderão, se acharem necessário, reformular o texto colaborativo e reenviá-lo.
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Etapa 7:
      O texto final do grupo, após avaliação, será postado no blog do grupo para apreciação de alunos de outro grupo.
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Método de avaliação: 
O aluno será avaliado por sua interação durante as discussões e produção do texto. Deve-se levar em consideração o aspecto cognitivo da faixa etária em que a atividade for aplicada para se fazer essa avaliação.
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Outros links para referência:
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Documentos adicionais a serem fornecidos na etapa 5:
O documento 1 é um texto que eu elaborei como síntese de uma discussão feita com os alunos de um curso de capacitação e atualização de professores que ministrei no Instituto Superior de Educação do Estado do Rio de Janeiro em 2008. 


O Cientista, o Método Científico e o Processo de ensino-aprendizagem
Marianna A. F. Outeiro-Bernstein
Cientista é quem faz Ciência. Mas quando se pensa em pessoas que fazem Ciência sempre vem à cabeça da maioria das pessoas a figura de Albert Einstein.
No entanto, foi-se o tempo em que se acreditava que, para estarem envolvidas com a Ciência, as pessoas precisavam preencher todos os requisitos desse estereótipo de um cientista: ser do sexo masculino, parecer louco, andar vestido de jaleco por toda parte e parecer não ter vida própria fora do laboratório.
Atualmente, sabe-se que os cientistas são pessoas “normais” que se interessam pela busca do novo, do desconhecido. Em geral, são pessoas extremamente curiosas e incansáveis e que estão sempre buscando saber mais, entender melhor o mundo em que vivemos e saber por que as coisas acontecem.
Desta forma, para ser um cientista, a pessoa precisa ter uma grande capacidade de observação e espírito crítico. Precisa ser capaz de identificar uma determinada situação e questionar o que está acontecendo. Precisa, também, ser capaz de investigá-la e chegar às suas próprias conclusões.
Então, onde começa a Ciência? Como os cientistas “fazem” Ciência? A Ciência começa na observação, e o “fazer Ciência” pode ser resumido em um conjunto de etapas que chamamos de Método Científico.
O primeiro passo é identificar o “problema”. Em seguida, se faz necessário formular hipóteses sobre o “problema” encontrado. Para se chegar a uma conclusão, as hipóteses formuladas precisam ser testadas. Esses testes são feitos por meio de experimentação. A seguir, é necessário interpretar os resultados. Se essa interpretação confirmar determinada hipótese, chegamos a uma conclusão. Mas se não for confirmada? O que acontece? Inicia-se, novamente, todo o processo, formulando-se novas hipóteses e realizando todas as etapas novamente.
É importante lembrar que, na maioria das vezes, em Ciência, aprendemos mais com os erros e com os resultados inesperados do que com os acertos e resultados previstos. São os erros que impulsionam as novas investigações na busca do esclarecimento das nossas dúvidas.
A Ciência não pára! Um resultado obtido hoje se torna objeto de observação da pesquisa de amanhã. E assim, o conhecimento avança.
Apesar de esse conjunto de etapas ter sido denominado Método Científico, fazemos uso dele normalmente no nosso cotidiano para resolver quaisquer problemas que tenhamos que superar. Por exemplo: quando temos um aparelho eletrônico que não funciona, como uma televisão ou um brinquedo, formulamos várias hipóteses para tentar entender qual é o problema (falta de energia, falta de pilha, fio partido, problema mecânico). Procedemos os testes para cada uma das hipóteses até conseguirmos encontrar a resposta. Quando não conseguimos, buscamos pessoas que tenham mais experiência em aparelhos eletrônicos e que, na maioria das vezes, consigam solucionar o nosso problema.
Sendo assim, podemos utilizar esse método sem medo, inclusive para ensinar.
O ensino baseado na experimentação pode trazer muitos benefícios, uma vez que o próprio aluno torna-se capaz de produzir o seu conhecimento e buscar respostas para situações que vivencia em seu cotidiano. A formulação de hipóteses, a busca de resultados e a discussão dos mesmos pode contribuir de forma significativa para a formação de cidadãos críticos e éticos, capazes de identificar e enfrentar problemas e, quiçá um dia, melhorar o mundo.

O documento 2 está disponível em http://scienceblogs.com.br/discutindoecologia/?utm_source=bloglist&utm_medium=brazildropdown (tópico: Em que momento matamos os pequenos cientistas?)

6 comentários:

Ana Cláudia disse...

Olá,
sou sua colega do curso CECIERJ.
gostaria de parabenizá-la por sua atividade e, sobretudo,por seu blog. Tudo está muitobem elaborado, esmiuçado, o que contribui para o entendimento.

Abraços!

Marianna Augusta Ferrari do Outeiro Bernstein disse...

Oi Ana Cláudia!
É um prazer tê-la por aqui e como seguidora!
Obrigada!
Abraços!

Liliana Medeiros disse...

Olá, Marianna!
Adorei a tua atividade - saber o que é a ciência e discriminá-la da pseudociência é essencial para a formação de cidadãos críticos. Este ano, tive uma triste experiência no ensino de Evolução para alunos do 3º ano de Ciências Biológicas. Vários desses quase-biólogos engoliam inteira a pílula ideológica do "design inteligente", confundindo-a com ciência. Entender que usamos procedimentos científicos no nosso cotidiano é um primeiro e grande passo para perceber a falácia da pseudociência.

Breno Alves Guimarães de Souza disse...

Nossa, quanta honra de ter um texto meu como material a ser analisado (o documento 2). Não sei se é com boa ou má visão sobre ele, mas só de ser analisado é legal.

Marianna Augusta Ferrari do Outeiro Bernstein disse...

Oi Breno!
Pode ter certeza que é com boa visão sobre ele que o incluí na minha atividade! É muito bom saber que outras pessoas também compartilham do mesmo ponto de vista que tenho! Obrigado pela sua visita!

Regina Maria disse...

Oi Marianna,amei seu blog, e ele esta sendo de grande respaldo para o ensino da ciência. Obrigada por seu incentivo a boa educação critica e reflexiva.

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